O dia “D”

O dia “D”

Assim como aqui escrevo, recebi uma mensagem via Lync (programa de chat em tempo real da Microsoft) algo que mudaria o meu percurso para sempre. Era segunda-feira 17 de outubro de 2016, a ansiedade já tomava conta de mim há algumas semanas, as 19h eu desliguei meu computador enquanto era tomado por uma sensação de ódio, angustia, frustração, tristeza e muita, muita decepção.

Levantei da minha mesa e caminhei até a sala de diretor mais próxima, dali liguei para minha mãe. Contei de forma resumida o que estava acontecendo. Como toda mãe, ela tentou me acalmar, mas quanto mais ela dizia palavras de conforto, mais meu coração se enfurecia. Sai dali transtornado, tomado completamente pela raiva e frustração. Ao chegar no meu apartamento, me tranquei no quarto e apenas chorei. Eu soluçava. Eu queria gritar. A dor era tão grande que adormeci enquanto chorava.

Terça-feira, 18 de outubro de 2016, eu não fui ao escritório, decidi que trabalharia de casa. Naquela manhã eu já sentia o adeus. Aproveitei para fazer algumas pesquisas, fazer os cálculos da minha demissão. Planejar alguns caminhos possíveis, até então inimagináveis. Três dias antes eu estava buscando apartamento na Cidade do México, planejando onde iria morar, checando distância até o trabalho e a Pós. Nesta terça eu já não tinha rumo, qualquer lugar poderia se tornar o meu lugar.

Quarta-ferira, 19 de outubro de 2016 o dia D. Cheguei ao trabalho cedo, como de costume, esperei que a pessoa do RH chegasse e assim que a vi fui de encontro para ter uma conversa. Já era a conversa final. Antes mesmo que meu diretor chegasse no escritório, a minha carta já estava assinada. Esperei até o momento agendado. Sentamos em uma sala de vidro, onde todos podiam nos ver, mas ainda assim eu me sentia invisível. Ali disse: Pra mim não da mais. Eu cheguei no meu limite.

Com um aperto no coração, neste momento eu me despedia de 3 anos de muitas experiências, muito crescimento profissional, pessoal e encontros que se tornaram amizades para a vida. Sem sombra de dúvidas tiveram muitos momentos ruins. Não foram poucas as lagrimas derramadas ali. Mas hoje, 7 meses depois, vejo que muitos destes momentos me possibilitaram coisas incríveis. De fato, há males que vêm para o bem.

Beijos, Gabes

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