Querido Diário #2 – Blogueiras (Anti)Profissionais

Querido Diário #2 – Blogueiras (Anti)Profissionais

Hoje vou falar de blogueiras.

Estando no ramo blogueirístico há mais de 2 anos, já posso dizer que vi quase tudo nessa vida. O momento que vivemos agora é totalmente propício pra ser “digital influencer”! Passamos 24h conectados, sempre no Insta, Twitter, Facebook… E o que a gente vê como inspiração nas blogueiras, muitos veem como uma oportunidade de negócio. Imagina só, ganhar dinheiro postando fotos nas redes sociais?

Não vou negar: de certa forma, é uma vida glamourosa. Produtos grátis, serviços, dinheiro, eventos, “mimos”, reconhecimento, carinho de pessoas que nem nos conhecem pessoalmente. Sem contar que, vez ou outra, a gente casa com um cliente incrível, que tem tudo a ver com o que a gente fala no blog… E desse casamento, sai crescimento financeiro de ambos os lados.

Porém, uma reclamação muito frequente que eu ouço (de blogueir@s) é que “o cliente acha que trabalhamos de graça”. Concordo, pelo menos 70% das mensagens que recebo, propondo parcerias, são acordos onde a empresa ganha e a blogueira perde. Até porque a Eletropaulo não aceita blusinha. Se pedimos o valor de uma postagem em produtos da loja, o cliente torce o nariz e diz que é “muito caro”. Considerando o alcance que temos, a interação e fidelidade dos nossos seguidores, o tempo e custo que desprendemos para arrumar cabelo e make, fazer a foto perfeita, editar (envolve aplicativos que muitas vezes são pagos), sites que emitem relatórios de desempenho (também pagos), ter um celular com câmera boa e 3G rápido, para poder trabalhar de onde estiver… Tem muito custo envolvido! A Jessica Belcost fez até um vídeo sobre isso.

Sera que é “muito caro” mesmo?

Em contrapartida, vejo digital influencers blogueiras que se prostituem por um (eu disse um, mesmo) colar, ou uma blusa – que muitas vezes não tem nada a ver com o estilo dela e do blog! Se eu tenho 30 mil seguidores, é porque essas pessoas se identificam comigo e acreditam na minha opinião. Por isso, é minha obrigação buscar (e aceitar) apenas clientes que tenham a ver com o meu estilo – e com o estilo dessas pessoas. Se eu indico um serviço, tenho que ter testado e gostado! Nossa credibilidade é uma das coisas de mais valor que temos (seja na internet ou em empregos “reais”), então tenho que genuinamente gostar do produto, mesmo que estou sendo paga para falar dele.

Outra coisa que vejo com muita frequência: a blogueira chega num patamar de ganhar dinheiro, de ser paga pra fazer publicidade. Que sonho! Mas ela não posta na data correta, ou não entrega o relatório de desempenho, ou não aparece no evento… E também não se justifica, apenas faz a pêssega. Como o cliente fica? Imagine se você paga para uma doceira fazer seu bolo de aniversário e, no dia da festa, ela não te dá notícias do bolo, demora pra responder sua mensagem… O que passa pela sua cabeça?

Exato. Essa sensação é a mesma que passa na cabeça de um cliente quando blogueiras se comprometem a fazer algo e não cumprem. A profissão se torna mal vista por isso. Então, quando eu falo no título de postura antiprofissional, é de fazer um acordo e não cumprir, mesmo. No meio corporativo, se não cumprirmos o que prometemos, arriscamos nosso sustento – por que na blogosfera não seria diferente?

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Estágio: dicas para se sair bem e ser efetivado

Estágio: dicas para se sair bem e ser efetivado

A quarta é de cinzas – o estágio, não.

Muita gente que lê o meu blog e me acompanha no Instagram (@notrabalho) está em busca de uma coisa: dicas para se vestir apropriadamente no ambiente corporativo. Mas o intuito do blog, além desse, é dar dicas úteis para quem já tem – ou está iniciando – uma carreira. Sim, estou falando do famigerado estágio!

O Nube (Núcleo Brasileiro de Estágios) divulgou uma expectativa para esse ano:  32 mil vagas de estágio devem ser abertas no país. Isso quer dizer que vai haver um aumento de 3,2% em relação ao ano passado. Porém, a taxa de candidatos também aumentou em relação a 2016: 20%, precisamente.

“OLOCO MEU! E COMO EU FAÇO PARA GARANTIR A MINHA VAGA, CARLITCHA?”

Pois é, galera, além de se vestir bem e imprimir sua própria personalidade – que eu dei as dicas nesse post aqui – é preciso saber se portar para garantir seu lugar ao sol (e quem sabe uma efetivação, né mores?). Ainda mais na crise! Pensando nisso, o empresário Marcos Scaldelai, ex-presidente da Bombril, listou algumas dicas com base em seu novo livro. Feito pra você quequer garantir uma vaga de estágio e ter mais chances de ser efetivado.

Destaque para o autor: CEO da Bombril aos 36 anos. #FocaNoFoco

Dicas para a seleção:

Impressione desde à primeira vista. Todos nós, a todo momento, estamos vendendo algo, nossa imagem é a primeira delas. Considere que essa é a grande oportunidade da sua vida e fale aquilo que te diferencia da grande maioria. Além disso, use as minhas dicas de moda pra dar aquela primeira impressão!

Nunca olhe só para o próprio umbigo. Não é porque você está conseguindo atingir os resultados esperados pela empresa que você não deve se preocupar com o desempenho dos seus colegas – ou atropelá-los na dinâmica de grupo (tem coisa pior que isso?). Ofereça ajuda sempre que for conveniente, afinal, a empresa só caminha quando todas as engrenagens estão funcionando.

Quando estiver lá dentro, o que fazer?

Evite ficar pensando que toda empresa é igual à anterior. Muita coisa que funcionava até agora não terá resultado igual, ou precisa ser executada com adaptações. Afinal, mudar tudo também tem o seu perigo. O que mais se fala hoje em dia é para voltar ao básico bem-feito. Aproveite sua pouca idade e seu gás para ser o agente de mudança!

Não crie barreiras sem necessidade. Não seja o tipo de pessoa que só enxerga barreiras – no meio corporativo, essa galera é conhecida como stakeholders. Escute, mantenha a calma e comece a levantar alternativas para mudar determinada situação.

Acredite no impossível. Sempre pense de forma positiva e desafiadora, e mentalize a frase “Sempre dá para fazer diferente”. Brilhar é superar o impossível, então acredite mais em você e na possibilidade de reverter um não de um cliente – seja ele seu chefe ou até alguem de outra área.

Como superar as expectativas?

Seja um inconformado por natureza e pense “fora da caixa”. Quem é inconformado se nega a se limitar, mesmo quando tudo está indo bem. Colocar em prática boas ideias é o segredo do sucesso! O “não” todo mundo já tem, então tem que mentalizar que tudo pode ser melhor, afinal, ninguém cresce sem sair da zona de conforto – mas sempre com planejamento. Essa atitude ajuda a conter a tentação de pegar o caminho mais fácil, e ele quase nunca é o mais seguro.

Diferencie-se pelos detalhes. Não há espaço no mercado atual para quem fizer “mais do mesmo”. A preocupação com os detalhes é o que vai fazer você se diferenciar e não ser apenas mais um, então é importante ter visão e enxergar a necessidade de diferenciação para não ficar apenas reproduzindo o que funcionou no passado nem imitando o que o outro já fez.

Sobre o livro: Vendedor Falcão. Visão, velocidade e garra para vencer. Editora Planeta.

E aí, o que acharam? Comentem aqui embaixo e compartilhem com seus amigos!

Beijos, C.

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Querido Diário #1 – Algo de Errado Não Está Certo

Querido Diário #1 – Algo de Errado Não Está Certo

Querido diário,

Há mais de 1h eu estou chorando e não consigo parar de chorar. Tudo começou com uma coisa besta, sabe? Tinha planos para hoje, que mudaram de última hora – eu estava com tudo certinho na cabeça, ia ser perfeito e, de repente, não tenho absolutamente nada pra fazer. Fui conversar com minha colega de apê pelo Skype, contei pra ela o que estava acontecendo. Ela me aconselhou sobre o que eu deveria fazer a respeito da situação, mas deixei algumas palavras escaparem e ela me acertou com uma flecha no meio do peito.

“Sabe Cá, eu acho que essa saída da casa dos seus pais te afetou de uma forma que você talvez ainda não tenha parado pra pensar ou dado o devido valor. É algo que eu percebi há um tempo, em várias coisas que acontecem e eu acho que é por isso também que você sente tanto com outras coisas. É engraçado, até estranho te ver chateada por coisas tão simples.”

Em um outro momento, ela disse:

“Pára pra pensar um pouco sobre tudo que você precisou enfrentar esse ano – desde o acidente em Belém (sim, sofri um acidente de carro lá), até a sua saída de casa, a primeira vez que você saiu e ficou definitivamente longe da sua mãe, do Galileu, da Quinha… Você deveria se parabenizar por tudo isso. E aí eu acho que o motivo de você estar se sentindo tão mal com essas coisas pequenas que vêm acontecendo pode ser porque você tem se apoiado demais em algumas pessoas, esperando que elas sejam tudo isso que você sente falta – e isso deve estar te frustrando. E você tem que pensar que não é fácil, mas você está passando por muita coisa e tudo está acontecendo ao mesmo tempo.”

E, realmente, nunca tinha parado pra pensar sobre o quanto sair de casa me mudou e me afetou. O quanto eu tive que ser forte, pois da noite pro dia eu tive que deixar pra trás toda a minha estrutura. E a verdade é que eu fiquei desestruturada, mesmo – começar uma vida nova não foi nada do que eu imaginava que ia ser. E foi essa descoberta que eu comecei a escavar quando li tudo o que estava escrito naquele pop up do Skype, pois poucas coisas que eu ouvi (ou li) nessa vida tiveram um poder tão grande de me atravessar desse jeito. Em coisa de 15 minutos, desenterrei coisas que eu nem sabia que tinha guardado. Realmente, passei por muita coisa esse ano, e só parei pra olhar pra tudo uma semana antes do meu aniversário de 25 anos. No dia que eu fizer 30, acho que a reflexão muda um pouco.

Nós temos uma convicção muito grande dentro de nós que ser forte é deixar de sentir as coisas – o famoso coração gelado. E, de certa forma, eu adotei essa postura pra mim, porque no momento em que eu saí de casa, não tive tempo pra ficar de luto. Pra pensar. Pra deixar as lágrimas caírem. Me pegava dizendo “engole, você não pode chorar agora” – e hoje eu tô percebendo que não existe essa coisa de tempo pra chorar. Passei quatro meses guardando uma série de coisas dentro de mim, esperando que os outros fossem suprir uma necessidade que ninguém pode – além de mim mesma. O buraco que ficou é gigantesco, e os esforços das pessoas não fazem nada mais do que colocar um punhado de terra na cratera do metrô. Me vejo cercada de pessoas sensacionais, mas sem força pra aproveitar as coisas boas que elas estão me oferecendo, porque algo de errado não está certo – e só eu posso resolver esse problema.

Esse é um dos brindes que vem com a saída de casa: você aprende que só você é capaz de resolver os seus problemas, seja lavar o banheiro ou lidar com seus fantasmas internos.

Ela terminou com mais algumas palavras:

“Esse mal estar é, com certeza, só uma ponta de tudo o que você está passando. Você tem que reconhecer a mulher forte que você é e que esse ano foi foda. Se você não fosse forte, não estaria se cuidando, lutando. Você pode sempre contar comigo, e com muitas outras pessoas na sua vida. Mas eu acho que a sensação de desamparo é algo que independe das pessoas de fora, é algo muito mais interno e seu. Escreve, faz um diário, só pra você – se quiser dividir, você divide. Mas escreve.”

Querido diário, hoje tá foda. Esse ano tá foda. E eu não sei ao certo o que fazer.

Foto do post: Glon Fotografia

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